‘Economia Circular’ e mestrado em Portugal

Nosso ex-aluno, Danilo Eccard, conta sobre o tema de seu TCC e sobre como é sua experiência no mestrado em economia e gestão ambiental em Portugal.

Entrevista com Danilo Eccard sobre Economia Circular e como afeta o Brasil e o Mundo

Wilson Danilo Eccard tem formação superior em Relações Internacionais e pós-graduação em meio ambiente pelo MBE Coppe-UFRJ. O tema do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi sobre “Economia Circular”. Após cursar o MBE, Danilo foi aceito em um mestrado internacional na Universidade do Porto, onde hoje se especializa no tema ‘Economia e Gestão do Ambiente’.

 

Pergunta 1: Como a economia circular afetará as relações internacionais?

Resposta 1: Como ela já tem afetado é uma pergunta ainda mais adequada. Em um mundo globalizado como é o atual, fatos como poluição, aquecimento global, volatilidade dos commodities afetam não só um pais, mas como uma região e até continentes – se pensarmos a China com seu tamanho, poder e demografia. Se pegarmos o continente europeu, fica mais fácil a compreensão. Devido os acordos estabelecidos na COP21 (o principal é a tentativa a nível global de diminuir o aumento da temperatura terrestre), um dos grandes motores da Europa, a Alemanha, aprova uma lei que impede a comercialização de veículos movidos a gasolina a partir de 2030. Outro país, a Eslovênia, é o principal exportador de partes e peças usadas na montagem e manutenção dos carros produzidos na Alemanha, com esta alteração da matriz de energia dos automóveis, as empresas eslovenas deverão alterar toda a sua produção se quiser continuar sendo o principal fornecedor de itens automotivos para Alemanha. Essa ação evita a poluição conhecida como Local, originária do intenso tráfego de carros característicos das grandes cidades. Contudo, é importante também frisar que deve haver alteração da principal fonte de energia do Estado como um todo para que sua geração de energia seja realmente limpa e circular, no caso da Alemanha e ainda muitos outros países no mundo, ainda é o carvão.

Pergunta 2: Quais os principais desafios para implementação da economia circular no Brasil?

Resposta 2: No meu ponto de vista é a vontade política é um dos grandes vilões. É fato que o Brasil é um dos 5 maiores países do mundo, com isso o brasileiro (políticos inclusive) nutrem uma fantasia que os nossos recursos naturais nunca vão acabar, esse devaneio leva a atitudes de consumo que vão de encontro aos ideais sustentáveis e, consequentemente, circulares. Porém, existem iniciativas interessantes ocorrendo no país como o CE100, grupo de 100 cidades ao redor do mundo com iniciativa para aplicação dos conceitos de Economia Circular em projetos urbanos e que o Rio de Janeiro faz parte, vamos esperar por boas novidades por aí.

 

Pergunta 3: Por que você escolheu o tema ‘Economia Circular: O Próximo Passo da Sustentabilidade’?

Resposta 3: Bem, para mim o tema é extremamente relevante. A história nos ensina que conceitos de sustentabilidade (como o Triple bottom line) modificaram (e ainda o fazem) o rumo como as empresas trabalharam a partir da segunda metade do século XX até os dias atuais. Na minha opinião ainda continuarão a fazê-lo no século seguinte, mas acredito que os conceitos de Economia Circular que estão se desenvolvendo, apoiados na base dos conceitos da economia ecológica, conseguem mostrar as empresas que o meio ambiente é um limitante físico para o seu desenvolvimento, ou seja, a economia é que depende da natureza, não o contrário. Com isto em mente, o tema de economia circular dever ser abordado em salas de aula de graduação como disciplina básica dos cursos de ciências sociais, humanas e exatas a fim de preparar os próximos profissionais para os desafios que estão por vir.

Pergunta 4: 4. Você está cursando o mestrado em economia e gestão ambiental em Portugal. Como está sendo esta experiência?

Resposta 4: Cheguei aqui no início de setembro de 2017, a experiência tem sido enriquecedora em diversos aspectos, a Universidade do Porto é conhecida em toda Europa por sua excelência e tradição por isso é normal receber alunos de diversas partes da Europa por isso o contato com outros idiomas é frequente. O próprio português já é um desafio, por mais que seja o mesmo idioma, existem palavras e expressões diferentes, por aqui há quem fale o português e quem fale o brasileiro. Estou trabalhando em alguns artigos e já costurando o formato da tese que terei de defender daqui dois anos.

 

Pergunta 5: 5. De que forma o MBE (pós-graduação executiva em meio ambiente da Coppe) contribuiu para sua vida profissional?

Resposta 5: Durante o ano que cursei o MBE foi o período em que mais fui a palestras, fóruns e reuniões, foi onde conheci pessoas incríveis e fiz conexões importantes tanto para o pessoal quanto profissional. Hoje realizo um trabalho voluntário no Núcleo de Economia Circular (NEC) através da plataforma Exchange 4 Change Brasil, o NEC é primeira plataforma de troca de conhecimento global e consultoria estratégica que visa impulsionar a transição para a Economia Circular no País. No nosso primeiro ano, fizemos 8 webinares internacionais, falamos com 10 especialistas de 7 países diferentes e 2 workshops. No segundo ano, vamos lançar um livro com nosso aprendizado e nos preparar para lançar o plano nacional do NEC e continuar com nossa missão. Se não tivesse cursado MBE, nada disso teria acontecido.

 

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